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Até que ponto sabemos o que queremos?

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Que tal ler o texto para tentar descobrir?
"Ao obrigar as escolas a ensinar sociologia e filosofia a todos os alunos, o Brasil se junta à maioria dos países da América Latina - e se distancia dos mais avançados em sala de aula, que oferecem essas disciplinas apenas como eletivas. Deixá-las de fora da grade fixa é uma decisão que se baseia no que a experiência já provou. Resume o economista Claudio de Moura Castro, articulista de VEJA e especialista em educação: "Os países mais desenvolvidos já entenderam há muito tempo que é absolutamente irreal esperar que todos os estudantes de ensino médio alcancem a complexidade mínima dos temas da sociologia ou da filosofia - ainda mais num país em que os alunos acumulam tantas deficiências básicas, como o Brasil". Em outros países da América Latina, esse tipo de iniciativa também costuma resvalar em aulas contaminadas pela ideologia de esquerda, preponderante nas escolas. Não será desse jeito que o Brasil dará o necessário passo rumo a excelência".

Lendo essa afirmação absurda da revista veja me vi obrigada a promover questionamentos básicos sobre o processo educacional. Até que ponto sabemos realmente o que queremos para impedir que pensamentos dessa forma se massifiquem e virem falsas verdades?

O que se propõe o processo educacional hoje em dia? Definitivamente esta é a principal pergunta que devemos fazer para nós e os colegas professores. Falamos muito do papel do professor, do papel do aluno e do papel do estado constituído sobre a sua relação com a educação, mas não repensamos qual é função da educação. Em tempos de consumismo exagerado, onde as relações humanas estão cada vez mais precárias e a relação do outro não esta mais ligada ao ser e sim ao ter qual é o verdadeiro objetivo do processo educacional? Falamos continuamente que tal processo esta desvirtuado, mas se pararmos para pensar na esfera governamental nunca o processo educacional teve tanto sucesso. Independente das fronteiras de país a educação tem tido um papel crucial no controle da massa humana. Num mundo de 7 bilhões de habitantes e de extrema desigualdade seres humanos pensantes atrapalham o processo de dominação. Uma educação, que não leva o aluno a reflexão, onde o aluno não consegue se inserir naquele contexto é perfeita para fazer com que o educando que deveria estar no auge de seu questionamento se torne mais um "zumbi" que não questiona, não busca , que não fala. A educação atual tolhe qualquer possibilidade de crescimento humano e isso não é culpa nem do professor nem do aluno e sim de um sistema que tira a autoridade do mediador, desqualifica seus conhecimentos com a aparência de que tudo pode ser encontrado numa tela de computador, de forma mastigada.

Desde os primórdios do processo educacional a criança  tem sua capacidade reflexiva tolhida de forma abrupta. O não sem explicação é dito continuamente a ele e com o tempo este deixa de ter a curiosidade natural e apenas assimila o não como uma resposta mecânica. Com  o tempo ele percebe que toda vez que tenta questionar algo vai existir uma punição ele simplesmente deixa de questionar... e não há melhor forma de dominação humana que a não  reflexão.  

Se o processo educacional responde perfeitamente aos interesses do sistema qual é então o nosso interesse como educadores neste processo educacional? Será que temos de fato consciência de que queremos seres humanos reflexivos, será que as técnicas pedagógicas que usamos  tem realmente haver com a realidade do educando e com a nossa, como mediadores e educadores....será que sem percebermos estamos contribuindo  para esse processo de dominação...será que também não fomos dominados? Definitivamente a grande questão não é o respeito aos  professores e  a instituição escolar, não é a relação do aluno da escola porque simplesmente estas questões são consequências da pergunta principal. O que realmente queremos com o processo educacional. Será que continuamos a conseguir responder para que a educação? Será que temos resposta para artigos perigosos com este que ratificam a existência de uma massa irreflexiva  r marginaliza aqueles que querem mudar isso?
Ana Beatriz Gomes
Professora de Filosofia na Rede Pública/RJ.

3 comentários:

A Veja, e o grupo Civita, vendem o modelo educacional de São Paulo.

Filosofia e sociologia são assuntos perigosos. Ensinar pessoas a pensar, a questionar? Isso não vai ser apoiado nunca porque quem apoiou o golpe de estado de 64 (revolução uma ova!). Naquele tempo, removeram Filosofia e Latim das escolas.

Ah, claro. Implantaram Educação Moral e Cívica, para nos tornar bons cidadãos, pagadores de impostos, que não cuspam na rua. E sempre dispostos á uma grande, sonoro e sincero Amém á autoridade mais próxima.

Por falar nisso, porque revistinha ai não questiona o ensino religioso nas escolas? Isso me parece preocupante. Consumir recursos e tempo para a crianção de rebanhos. Se algum pai quer seu filho de joelhos, que o adestre em casa. Na escola, vamos dar uma chance real às crianças. Vamos ensinar Matemática, Português, Ciências (teoria da evolução, inclusive), História(ah, sim, História desse povo e não a dos vencedores), Filosofia e Sociologia. Vamos ensinar às nossas crianças a Pensar. E questionarem. Inclusive a si próprias.

Beijos

Assino em baixo .
Sou da época em que ainda existiam essas matérias no currículo e, embora não as tenha cursado porque fiz Científico, os jovens liam muito e questionavam.
O articulista está promovendo a perpetuação da ignorância e do não questionamento, mas ... Atena continua sua campanha pela expansão das consciências e por uma educação mais legítima e progressista. Avante! rsrs
beijos amiga

Deve ser a forma equivocada do ensino que faz com que cada vez mais tenhamos alunos superficiais.

Bjs

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