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Mama África, uma mãe solteira?

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Ou um continente sem história?

Não há região do mundo mais vítima da naturalização da miséria do que a África. Na concepção eurocêntrica, bastaria cruzar o Mediterraneo para se ir da "civilização" à "barbárie". Como se a África não tivesse história, como se seus problemas fossem naturais e não tivessem sido resultado do colonialismo, da escravidão e do neocolonialismo.

Continente mais pobre, mais marcado por conflitos que aparecem como conflitos étnicos, região que mais exporta mão de obra – a África tem todas as características para sofrer a pecha de continente marcado pelo destino para a miséria, o sofrimento, o abandono.

Depois de séculos de despojo colonial e de escravidão, os países africanos acederam à independência política na metade do século passado, no bojo da decadência definitiva das potências coloniais europeias. Alguns países conseguiram gerar lideranças políticas nacionais, construir Estados com projetos próprios, estabelecer certos níveis de desenvolvimento econômico, no marco do mundo bipolar do segundo pós-guerra.

Mas essas circunstâncias terminaram e o neocolonialismo voltou a se abater sobre o continente africano, vítima de novo da pilhagem das potências capitalistas. A globalização neoliberal voltou a reduzir o continente ao que tinha sido secularmente: fornecedor de matérias primas para as potências centrais, com a única novidade que agora a China também participa desse processo.

Mas o continente, que nunca foi ressarcido pelo colonialismo e pela escravidão, paga o preço desses fenômenos e essa é a raiz essencial dos seus problemas. Mesmo enfrentamentos sangrentos, atribuídos a conflitos étnicos, como entre os tutsis e os hutus, se revelaram na verdade expressão dos conflitos de multinacionais francesas e belgas, com envolvimento dos próprios governos desses países.

Hoje a África está reduzida a isso no marco do capitalismo global. Salvo alguns países como a Africa do Sul, por seu desenvolvimento industrial diferenciado e alguns países que possuem matérias primas ou recursos energéticos estratégicos, tem um papel secundário e complementar, sem nenhuma capacidade de assumir estratégias próprias de desenvolvimento e de superação dos seus problemas sociais.

A globalização neoliberal acentuou a concentração de poder e de renda no centro em detrimento da periferia. Os países emergentes – em particulares latino-americano e alguns asiáticos – conseguiram romper essa tendência, mas não os africanos, porque não conseguiram eleger governos que rompessem com a lógica neoliberal predominante.

O novo ciclo da crise capitalista e a primavera no mundo árabe podem trazer novidades que permitam a países africanos somar-se aos governos progressistas da América Latina.

Emir Sader

6 comentários:

É mãe solteira e escrava, embora o mundo acredite que lhe foi dada a liberdade. Os senhores usam, abusam e quando não têm alternativa, abalam alegremente deixando os filhos bastardos, doentes, entregues a si próprios. E quando os remédios escasseiam, oferecem-lhe outra vez a escravatura mascarada de independência.

Beijos Beth!

Eu tenho uma pena que um continente tao grande sofra por tanta adversidade. Eu não consigo imaginar que a curto prazo haja uma solução, visto que não adianta somente ajuda externa, eles precisam mudar de dentro para fora.

Beijos

Querida Luisa,
O seu comentário me deixou arrepiada.
Forte e verdadeiro!
E você que está aí mais perto, pode perceber melhor a realidade, mesmo que não atravesse o Estreito de Gibraltar
Realmente não há com ser forte e independente, em meio à fome, miséria, violência e mortes.
Tudo patrocinado historicamente pelos colonizadores.
Beijo e obrigada.

Oi Sissym,
Realmente de imediato não haverá mudanças, porque continuam sendo saqueados como antes.
Enquanto o mundo não entender que tudo que conquistaram foi graças a Mãe África e acertarem as as suas contas com o Continente, internamente não há o que possam fazer.
Obrigada querida.
Beijo.

Querida Beth
Realmente um grande descaso!
É chocante constatar tamanho desprezo com este continente e seu povo!
Excelente artigo, como sempre!
Beijos com carinho!

Um continente cuja liberdade é falsa mediante uma escravidão de direitos, onde se gera a violência, abusos, fome, onde o povo ainda tem um grito na alma a ser solto buscando sua independência que nunca puderam ter ,infelizmente.


Beijos

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