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Velhas histórias: Uma reforma descerebrada.

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Fazendo a Travessia...
Recuperando a história.

A reforma universitária era outra das reformas que necessitava de modificação nos dispositivos constitucionais. A intenção declarada pelo governo era disciplinar a educação nacional e ampliar as garantias da liberdade do docente. Conforme o IBGE, quando Goulart assumiu a Presidência, em setembro de 1961, o Brasil possuía uma população em torno de 70 milhões de habitantes. Entre a faixa de 15 a 69 anos, havia aproximadamente 40% de analfabetos.

Em relação aos estudantes, perto de 6 milhões (8,5%) estavam matriculados na rede de ensino primário, cerca de 900 mil (1,2%) estavam no ensino médio e apenas 93 mil (0,13%), no ensino superior. Em relação a cursos de pós-graduação, o número era mais módico, cerca de 2 mil alunos (0,003%)". 

Diante disso, só cabe uma exclamação: O Brasil que os militares queriam salvar das garras dos esquerdistas perigosos e insanos tinha 93 mil estudantes universitários entre 70 milhões de habitantes e apenas 2 mil alunos de pós-graduação. De fato, as reformas de base de João Goulart eram assustadoras e, mais do que isso, desestabilizadoras. Se os militares não dessem o golpe redentor, poderia acontecer uma revolução educacional no Brasil, o que seria, certamente, desastroso com a duplicação, a triplicação ou, quem sabe, muito mais, do número de estudantes universitários.

O que seria do Brasil se a reforma universitária de Jango levasse 1 milhão de jovens aos bancos do ensino superior? Sim, a Nação corria um sério risco. Era preciso tomar providências para frear essas reformas arbitrárias formuladas por mentes maquiavélicas e antipatrióticas determinadas a liquidar o salutar elitismo brasileiro.

Os militares que tomaram o poder tinham a sua própria reforma educacional, uma reforma muito mais higiênica. Criaram disciplinas inesquecíveis como Moral e Cívica e Estudos dos Problemas Brasileiros, que ajudaram a produzir cidadãos agradavelmente descerebrados. 

Por outro lado, disseminaram a ideia de que Jango era um presidente fraco, um homem sem personalidade, capaz de se deixar influenciar por gente mal-intencionada. Por exemplo, más influências como Darci Ribeiro, um dos mentores da reforma universitária que pretendia irresponsavelmente encher as universidades de estudantes.

Jango queria fazer várias reformas estruturais.
Os setores conservadores, militares civis não deixaram.
Mas deixaram uma herança de  48 anos  de atraso, para os país e os brasileiros. Até hoje rondam por aí tentando impedir os avanços do país e reproduzindo cidadãos agradavelmente descerebrados. 
Portanto, para se construir uma nova história se faz necessário conhecer as velhas...
(Beth Muniz)

Cássio Silva Moreira
Tese de doutorado em Economia, na Ufrgs.
O Projeto de Nação de João Goulart: o Plano Trienal e as Reformas de Base (1961-1964).

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