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O Gênio e o Tempo

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Contar a história de Alfredo Rocha Vianna Filho, ou melhor, Pixinguinha, pela enésima vez, já que ele ocupa posição de destaque na música brasileira, é um desafio e tanto, que o pesquisador e historiador André Diniz assumiu com a competência de quem escreveu os almanaques do samba e do choro, e as biografias de Anacleto de Medeiros e Joaquim Calado, entre outros títulos.

O resultado é uma obra prazerosa de ler e com muitas informações curiosas que traçam um amplo painel do período vivido pelo artista. “Pixinguinha – O Gênio e o Tempo” acaba de ser lançado pela Casa da Palavra, em edição bilíngue e de luxo, muito bem ilustrada.

“Pixinguinha, assim como Machado de Assis e Portinari, é patrimônio de nossa cultura. Escrever sobre ele significa um tempo de dedicação que, certamente, devido às minhas atividades públicas, eu não teria no momento. Mas fui convencido, então, a fazer um perfil, uma pequena biografia fartamente ilustrada que possibilitasse ao público compreender um pouco da história de vida de um músico negro, pobre, cuja genialidade e cujo esforço pessoal entrou para a galeria dos mais prestigiados artistas de todos os tempos da música popular”, apresenta André Diniz. Atualmente, ele é chefe de Representação do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Diniz começa descrevendo a história do choro, entremeada pela infância de Pixinguinha, que considerava esse ritmo musical uma coisa sacudida e gostosa. Vindo de uma família de músicos, ele seria um dos principais responsáveis pela profissionalização do choro, levando-o para as salas de cinema (iniciando na orquestra do Cinematographo Rio Branco), o teatro de revista, as primeiras gravadoras (na RCA Victor, ele foi diretor da Orquestra Victor) e, depois, para as emissoras de rádio.

Há quem diga que Pixinguinha foi um dos primeiros a compor uma música sobre futebol, o choro “Um a Zero” - ele era torcedor do Vasco da Gama e lamentava ser “perna de pau”. Outra curiosidade é que a valsa “Rosa” nasceu com o nome “Evocação”, mudou quando ganhou letra do mecânico Otávio de Souza e foi rejeitada por vários cantores, até ser gravada por Orlando Silva, em 1937. Ele também compôs uma música com Carmen Miranda, “Os home implica comigo”, e foi o responsável pelos arranjos de grandes sucessos como “Alá-lá-o”, de Haroldo Lobo e Nássara; e “O Teu Cabelo Não Nega”, de Lupicínio Rodrigues e os irmãos Valença.

Pixinguinha também integrou o conjunto Oito Batutas, ao lado de feras como China (violão e canto), Donga e Raul Palmieri (ambos no violão), Nelson Alves (cavaquinho), Jacó Palmieri (pandeiro), José Alves de Lima (bandolim e ganzá) e Luiz Pinto da Silva (bandola e reco-reco). Eles começaram a tocar na sala de espera do cinema Palais e chegaram a se apresentar até num navio e em Paris, na França, que foi a primeira saída do artista do Brasil.

Esses artistas populares, como Pixinguinha e Donga, passam a chamar a atenção de intelectuais como o poeta francês Blaise Cendrars e os brasileiros Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Morais Neto, Gilberto Freyre, Cícero Dias e José Américo de Almeida, entre outros. Pixinguinha, inclusive, se tornaria até personagem do clássico romance “Macunaíma”, do escritor modernista e pesquisador musical Mário de Andrade. No livro, ele aparece como “um negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão”.

Portanto, “Pixinguinha – O Gênio e o Tempo”, de André Diniz, é uma obra indispensável para quem deseja conhecer um pouco mais da genialidade do compositor e músico ou então ser introduzido a história e a obra dele. Tudo isso ao som de clássicos como “Carinhoso”, “Lamentos”, “Valsa dos Ausentes”, “Querendo Bem” e “São Francisco de Ouro (Igreja de São Francisco)”, tocados por conjuntos instrumentais e pelas orquestras Petrobrás Sinfônica e Sinfônica de Recife, no CD que acompanha o livro.

Guilherme Bryan - Rede Brasil Atual

2 comentários:

Olá minha querida amiga Beth, boa noite!!!
Minha amiga, bela e merecida homenagem, realmente foi um grande gênio, eternizado em suas belas obras... adorei!!!
Minha amiga, tenha uma feliz e abençoada Páscoa, recheada com muita paz!!!
Tenha também uma linda noite e um maravilhoso final de semana!!!
Beijão e muita luz!!!

Oi Beth,

que ótima dica de leitura e ainda vem com um CD. Gosto muito de ler biografias. Pixinguinha é um mito da música nacional.

Um beijo e obrigada pela dica.

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