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Santa Ceia da Bossa Nova

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Quando a Bossa Nova surgiu houve uma grande mudança, uma sofisticação que atingiu a letra, a harmonia e a melodia. Antes, havia melodias bonitas, produzidas por Ary Barroso, Custódio Mesquita, Dorival Caymmi, este, uma espécie de precursor da Bossa Nova.

Havia muita gente importante, como Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Dircinha e Linda Batista. Isso era a grande música popular brasileira. Era a música popular mesmo, porque a Bossa Nova, para mim, é música popular de câmera, não é música popular.

A Bossa Nova foi um tipo de música feita pela classe média para atender a própria classe média. Quando se fala de influências houve a do impressionismo europeu e do jazz norte-americano.

O que diferenciava a harmonia da Bossa Nova da harmonia tradicional? Era alguma coisa elaborada, com elementos do jazz e do impressionismo na parte técnica. A melodia também ganhou uma sofisticação, algo blue note, com muita nota alterada, coisa que o povo não cantava. As melodias do povo são mais simples. Por incrível que pareça, as harmonizações passaram também a dar uma nova cara harmônica às músicas antigas, as populares.

Em novembro de 1959, no dia 13, aconteceu um dos shows históricos da Bossa Nova: o Show da Escola Naval, que foi gravado ao vivo.  Produzido por Ronaldo Boscoli na Escola Naval do Rio de Janeiro, teve as presenças de Alaide Costa, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Irmãos Castro Neves (Oscar, Mário, Leo & Iko), Lúcio Alves, Luiz Eça, Roberto Menescal e Sylvinha Telles. A Escola Naval, uma instalação militar no Rio de Janeiro, local  de 600 lugares sem costume de realizar shows, teve uma audiência  de quase 1000 pessoas, misturando militares e fãs. O que foi um super sucesso. Na realidade esse show teve o maior problema. Ele seria realizado na PUC, mas pela participação de Norma Bengell (musa erótica dos jovens da época, devido a umas fotos nas capas de Lps da Odeon) o padre responsável não aceitou.

*****
Fonte: Depoimento de Carlos Lyra a Almir Chediak, no Songbook Bossa Nova.

Foto: Painel Santa Ceia da Bossa Nova - Arte de Carlinhos Muller (caricaturista do jornal Estado de São Paulo): Tom Jobim, João Gilberto, Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Newton Mendonça, Elizeth Cardoso, Marcos Valle, Nara Leão, João Donato e Johny Alf.

3 comentários:

Na época eu era criança mais lembro que foi aquele reboliço nos bastidores da sociedade brasileira.
Muito bom a era da Bosa Nova e daí pra frente curtir muito suas canções.
Muito legal suas informações e compartilhamento.

Abraço

Oi, Beth!
Meus pais fizeram parte do swing bossa nova e eles contavam que a o termo foi usado pela primeira vez por Noel Rosa na década de 30 como uma gíria para algo que é feito com um charme particular, talento natural ou habilidade inata. Já na década seguinte foi utilizado para designar o "Samba de breque". A música evoluiu e não podemos dizer que foi após determinado momento que surgiu a bossa nova. Acredito que Dorival Caymmi esteja melhor qualificado para tal responsabilidade (rs*). Não podemos esquecer de Lúcio Alves e Dick Farney, Johnny Alf...
O pessoal que se reunia no Beco das Garrafas, deviam ouvir muito Frank Sinatra e Stan Kenton, pois vejo aí muita coisa do que eles faziam naquela época.
Antes de ser chamado "Bossa nova" no exterior, os jornais americanos se referiam ao gênero como "Samba Sessions" que seria uma mistura do samba + Jazz para agradar os americanos.
Você já ouviu "Dans mon île" do cantor francês Henri Salvador? Acho que essa música é de 1955 e pelo que se percebe, o mundo ia para esse lado mais light do jazz.
Beijus,

Oi Luma,

Obrigada pela visita e comentário complementar e enrriquecedor.

Bem lembrado: O Little Club, no Beco das Garrafas. O Texas Bar, no Leme. O Cangaceiro, na Fernando Mendes e o famoso Jirau. Pura Zona Sul, classe média e boemia. rsrs

“Dans mon île” com Henri Salvador? Não, não conhecia. Só conhecia a versão com Caetano Veloso. Pesquisei e ouvi. Confesso que gostei mais. Rsrs

Não resta dúvida de que a Bossa Nova “sofreu” a ibfluência do jazz e dos cantores e movimentos musicais anteriores. que você muito bem cita. No entanto, em minha opinião,o grande diferencial foi e é a batida criadaa por Jão Gilberto. Batida inovadora...

Sim, não podemos nos esquecer do Lúcio Alves, Dick Farney, Tito Madi, Johnny Alf, Sylvinha Telles, Elizeth, Nara e tantos outros... Um celeiro musical.

Não sei se você já leu – se não, vale a pena -, o livro Chega de Saudade – A história es as histórias da Bossa Nova, de Ruy Castro. Deixo como dica.

No mais, só me resta como consolo, pesquisar, ouvir, curtir e cantar. Já que violão não sei tocar (bem que tentei...) rsrs

Valeu!

Beijão.

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