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Caridade

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Donzela, Boa Intenção, Brinquedo dos Meninos, Caridade...

Você deve estar se perguntando qual a relação entre os nomes do título deste artigo?

Resposta: Não há páginas da história da escravidão que não nos envergonhe.

O site Medium nos apresenta esta relação - ainda pouco abordada, que trata dos dissimulados nomes que os donos das embarcações davam as seus infernos flutuantes, os navios negreiros -  ou navios "tumbeiros", que vem de tumba, sinônimo de caixão.

"As histórias desses barcos de nomes revoltantes estão expostas no mais amplo estudo do comércio transatlântico de seres humanos, iniciado ainda na década de 1960, e reunido pela Universidade de Emory (EUA), no site slavevoyages.org. É partir desta pesquisa que reunimos aqui uma lista com alguns dos mais nojentos nomes encontrados, revela Wilson Prudente, que é relator da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB do Rio de Janeiro e um dos brasileiros descendentes de escravos mais engajados em recuperar a história do povo de seus antepassados africanos. Ele garante que os abjetos nomes desses barcos não eram por acaso.

Daniel Domingues da Silva faz parte da equipe responsável pela pesquisa. Ele garante que a escolha dos nomes era feita pelo dono do barco  -  nunca por seu capitão. Daniel, no entanto, ressalta que havia, entre muitos comerciantes de escravos, uma crença doentia de que eles estavam fazendo "um bem para os escravos".

- Eles pensavam que estavam ajudando a resgatar a alma dos africanos para o reino de Deus, ou seja, trazendo eles de uma terra onde o paganismo imperava para a cristandade". 

Após ler todo o artigo completo, resolvi compartilhar aqui no Travessia. E por ser muito grande - mas não do tamanho que o tema exige, também resolvi dividi-lo em oito partes. Caso desejem, podem ler o artigo completo aqui.

*****

4. Caridade

Quatro diferentes embarcações sob esse nome
(1799 a 1836)

Bandeiras: Portugal e espanhola.
Tipo de embarcação: bergatim, escuna, sumaca e galeota
Travessias realizadas: 20
Escravos transportados: 6.263
Escravos mortos durante a viagem: 392
Escravos desembarcados no Brasil: 5.871
Tempo de travessia África/América (média): 50 dias

Pelo menos quatro embarcações transportaram escravos sob o irônico nome de Caridade. Somadas, elas carregaram o incrível número de 6.263 pessoas e, claro, não fizeram caridade para nenhuma delas. Ao contrário: 392 pessoas morreram nesses barcos. Na primeira década dos serviços de mortes e sequestros, o barco tinha destino o Rio de Janeiro, ora recolhendo africanos em Benguela, ora em São Tomé.

Em 1815, uma galeota chamada Caridade despejou em Pernambuco apenas 301 dos 345 negros que embarcaram no barco. De 1819 a 1836, foi uma escuna que exibiu vergonhosamente o nome de Caridade pelos ventos do Atlântico, deixando a região do Benin em direção a Bahia, rota muito frequente ao longo dos séculos.

A única embarcação Caridade que navegou com bandeira espanhola também mostrou toda a crueldade que o nome “escondia”, em 1833. Deixando Bonny, no extremo sudeste de onde hoje é a Nigéria, o barco foi capturado pelos britânicos no trajeto ao Brasil.

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Próximo: Feliz Destino.

2 comentários:

Bom dia!!!!!!!!!
Ótimo post querida amiga, quanta ilusão não? Somente o amor a nós e ao próximo é que pode curar,na minha opinião humilde, bjs!

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