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A Vila dos Idosos: modelo de política de moradia em São Paulo

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A Vila dos Idosos, localizada no bairro do Pari, região central de São Paulo, que hoje (19) completa nove anos, é tida como exemplo de política pública bem-sucedida no oferecimento de moradia digna para os mais velhos. Mantido pela prefeitura de São Paulo, o complexo com 145 unidades habitacionais foi elaborado e desenvolvido em parceria com o Grupo de Articulação para Moradia do Idoso da Capital (Garmic), que agora segue em busca de multiplicar o modelo nas demais regiões da cidade.

A Vila integra o Programa Locação Social, que oferece subsídios para populações vulneráveis e de baixa renda no acesso à moradia. Nesse caso, os idosos que recebem até três salários mínimos de aposentadoria pagam como aluguel o equivalente entre 10% e 15% dos rendimentos de suas aposentadorias, além de uma taxa condominial no valor de R$ 35.

São 90 quitinetes para solteiros e 55 para casais, totalizando o atendimento a 200 idosos, que contam também com assistência médica pelo Programa de Atendimento ao Idoso (PAI), desenvolvido pela Unidade Básica de Saúde (UBS) da região, e o acompanhamento de assistentes sociais e psicólogos contratados.

Olga Quiroga, coordenadora-geral do Garmic, conta que a Vila dos Idosos recebe visitas de grupos e representantes de governo de diversas regiões do país, como Recife, Piauí e Minas Gerais, que querem reproduzir o modelo em seus estados.

O Garmic busca, atualmente, que o modelo da Vila dos Idosos se espalhe pela capital paulista. A demanda do movimento é para que seja construída uma vila – em menor escala, com 40 habitações – em cada uma das 32 subprefeituras da cidade de São Paulo.

A coordenadora do Garmic justifica a necessidade de expansão e descentralização: "Quem mora em São Miguel Paulista, não quer vir para o centro. Aquele que mora em Santo Amaro, também não quer. Acho que é muito legal deixá-los aonde se sintam melhor." Para Olga, forçar o deslocamento do idoso, contrariando suas vontades e direitos, "é uma violência".

O Garmic tem uma lista de espera de 558 pessoas. Por serem idealizador, o movimento tem preferência na indicação para metade das vagas da vila. Já a Secretaria Municipal de Habitação, que controla o acesso da outra metade, tem 300 pessoas na fila.

"Na maioria das vezes, o idoso que vai para a Vila trabalhou por muito tempo e quer um lugar de sossego, quer ter um espaço privado só para ele. Se trabalhou em casas de família, nunca teve nada dele", afirma Olga, que relata o caso de uma senhora que viveu na casa do patrões por 58 anos e, após se aposentar, se viu desassistida. "Não tem família, não tem cama, não tem colchão. Não tem nada."

Outros ainda trabalham fazendo bicos para complementar os rendimentos da aposentadoria. "Alguns senhores trabalham nas ciclofaixas, com as bandeiras (na sinalização). Tem outros que trabalham entregando jornais no metrô." Na maioria, os idosos que ocupam a Vila foram abandonados por familiares, por conta das complicações de saúde física e mental que dificultam o convívio.

Além da ampliação das vilas, Olga defende a expansão da Política de Locação Social para os demais grupos vulneráveis. "A prostituta que ficou velha não tem direito à moradia? O gay que ficou velho não tem direito?", questiona Olga. "Tem que ter habitação para todos, e não carimbar para este ou para outro grupo."

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