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Marta Vieira da Silva: Construí minha carreira com base na insistência

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Embaixadora Mundial das Nações Unidas.

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Teimosia. Se existe uma palavra para descrever como cheguei até aqui, a palavra é teimosia. Claro, talento, dedicação e um ótimo aproveitamento das oportunidades que tive também fizeram a diferença. Mas, não fosse eu teimosa, minha carreira não teria nem começo...

Cheguei aos 30 anos com o currículo pesado. Jogo na Europa. Fui a primeira pessoa eleita como melhor jogadora do mundo cinco vezes, um recorde entre homens e mulheres igualado por Messi no ano passado. Sou a camisa 10 da Seleção Brasileira. Nas Copas do Mundo, sou a maior artilheira da história, com 15 gols – se eu marcar mais dois golzinhos em 2019, supero o Klose e lidero o ranking entre homens e mulheres. Os mais de cem (são 101, para ser mais precisa) tentos que marquei com a camisa amarelinha me colocam no topo da lista de artilheiros absolutos da Seleção – deixando no segundo lugar ninguém menos do que o Rei Pelé, o maior de todos. Meus pés estão na Calçada da Fama do Maracanã, e sou a primeira mulher a conquistar essa honra. Em 2010, a ONU me nomeou Embaixadora Mundial, título que carrego junto da missão de trabalhar pela valorização da mulher como forma de combate à pobreza.


Quem lê assim minhas conquistas, condensadas em um parágrafo, pensa que vivo um sonho. Pode até ser verdade, mas o caminho para chegar até aqui foi árduo. O esforço que fiz para chegar onde cheguei passa longe do campo pouco concreto dos sonhos.

Se vingar no esporte já é uma missão louvável para qualquer um no Brasil, imagine você vingar no futebol feminino, vítima de tanto descaso dos dirigentes e, por que não, do machismo da sociedade. Desde pequena, na minha Dois Riachos, no interior de Alagoas, eu tinha que convencer os meninos que sabia jogar bola. Vivia chutando sacos plásticos para cima e para baixo para provar para os outros que eu não devia nada para ninguém. As pessoas não viam com bons olhos uma menina jogando bola no meio de um monte de garotos, e a minha família pensava da mesma forma. Mas é como eu já disse: quando eu coloco uma coisa na cabeça, a única pessoa que pode tirar sou eu mesma. Tinha 14 anos quando um olheiro do Vasco da Gama me levou para o clube onde iniciei minha carreira profissional. 

As dificuldades foram tremendas. No nosso país, o “País do Futebol”, veja você, a minha modalidade ainda é vista como amadora. Na Europa, muitas atletas vivem do futebol e são seguidas por milhares de fãs. Os campeonatos nacionais e internacionais já existem há bastante tempo. Para citar um exemplo, a Liga Sueca Feminina existe desde 1988. As brasileiras continuam lutando pela criação de uma liga feminina.

Mas sempre fui muito aguerrida. Teimosa, entende? Nunca desisti de nada. Na infância, lembro de muitas vezes em que as meninas nem queriam que eu participasse das atividades físicas porque falavam: "Ah, ela vai ganhar". E aí eu tentava incentivar porque eu precisava de um adversário para poder alcançar minhas metas.

Eu sou assim. Sempre vou ser.

Completei 30 primaveras – e já começo a entrar no time das “experientes” do time – no mesmo ano em que tenho uma oportunidade literalmente de ouro: ganhar a medalha dourada para o Brasil em casa, na #Rio2016.

Ter a oportunidade de defender a amarelinha em mais uma competição desse porte me parece um prêmio por todo o suor que eu derramei ao longo da carreira. As dificuldades e louvores na Suécia, o aprendizado na Liga Americana de Futebol, a passagem pelo Santos de Pelé, os recordes, vitórias e derrotas com a Seleção. A poucos dias da abertura das Olimpíadas, sinto que toda a minha trajetória foi escrita para chegar aqui.

Tive oportunidades ao longo da vida – e as agarrei da melhor forma que pude –, mas não esqueço das minhas origens. E penso que é assim quem devemos gerir nossa carreira profissional: com foco nas portas que se abrem; com atenção especial ao futuro que se desenha, tentando sempre antecipar as divididas; mas com a memória sempre ligada nas nossas raízes, para que a vida não nos deixe esquecer quem realmente somos.

Quem eu sou? Teimosa.

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Marta, no Likedin

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