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Sobre as lendas sociais que perdoam o assédio

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Pagú, 1920, RJ - Wikipédia
A mais usada e visada: “Homem não se controla”.

Denúncias de assédio sexual feitas por mulheres tomaram o debate nos últimos meses. Desde o caso Harvey Weinstein, em Hollywood, e ainda os episódios de abuso no transporte público, no Brasil, parece não haver outro assunto que toque tanto as mulheres e alcance tantas.

Porém, a primeira semana de 2018 trouxe respostas inesperadas para o grito de basta das vítimas: Catherine Deneuve e mais 99 francesas assinaram uma espécie de manifesto a favor da “liberdade de incomodar” como algo “indispensável para a liberdade sexual”, enquanto por aqui, um texto de Danuza Leão, publicado pelo jornal “O Globo”, dizia que “toda mulher deveria ser assediada, pelo menos, três vezes por semana para ser feliz”.

Os posicionamentos incomodaram feministas, ainda mais por terem partido de mulheres, e levantaram questionamentos sobre a naturalidade permissiva do assédio. “É apenas instinto masculino”, “homem é assim mesmo, não se controla”, “Já dizia minha avó: prendam suas cabras porque meu bode está solto”, “Mulher gosta mesmo é de ser cantada” são apenas algumas das máximas difundidas nas redes.

Mas, afinal, de onde vêm essas lendas sociais que insistem em justificar o assédio? E mais: por que as reproduzimos para perdoar casos de abusos?

Heloísa Buarque de Almeida, professora de antropologia da USP (Universidade de São Paulo) e parte da Rede Não Cala USP (de professoras pelo fim da violência sexual e de gênero na universidade), responde essas perguntas e ainda fala sobre gênero e violência sexual no Brasil. Ela conversou com o UOL.

UOL: Sobre as lendas sociais que cercam os gêneros feminino e masculino, por exemplo, a de que homens não se controlam: de onde elas vêm?

Heloísa: Assédio não tem a ver apenas com gênero, mas também com concepções de sexualidade. Durante muito tempo, foi naturalizado, no Brasil, o fato de os homens se comportarem como predadores sexuais, e isso seria positivo, um sinal de masculinidade, de virilidade e de força. Essas lendas vêm dessa naturalização.


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