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Pouca Palestina e a Dívida alheia

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Em 14 de maio de 1948 nasceu o Estado de Israel.

Poucos mese depois, já havia mais de oitocentos mil palestinos expulsos, e mais de quinhentas aldeias demolidas.

Essas aldeias, onde cresciam as oliveiras, as figueiras, as amendoeiras e as árvores frutíferas, jazem sepultadas debaixo das autoestradas, centros comerciais e parques de diversões.

- São mortos sem nomes. O Comitê de nomes das novas autoridades rebatizou o mapa.

O que resta É POUCA PALESTINA.

A implacável devoração do mapa invoca títulos de propriedade, generosamente outogardos pela Bíblia, e se justifica pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu.

A caça aos judeus foi, sempre, um costume europeu; mas os palestinos pagam por essa conta, QUE NÃO É DELES.

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Eduardo Galeano
No Livro Os Filhos dos Dias, 


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Bandidos de Farda - Os CRIMES DA DITADURA MILITAR!

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 Uma FAMÍLIA de TORTURADORES.

Bandidos de Farda!

Estupro, roubos, assassinatos: Os crimes da ditadura escondidos por Cyro Etchegoyen.

Comandou interrogatórios na Casa da Morte entre maio e agosto de 1971.

Militar escondeu arquivo com cerca de 3 mil páginas de documentos públicos, que pertenciam ao acervo do Exército.

O general Sérgio Etchegoyen ( esquerda) e o patriarca Alcides (direita); e os irmãos Cyro e Leo Etchegoyen (Crédito: Arte/ ICL Notícias). Sérgio é filho de Leo e sobrinho de Cyro.

Cyro Guedes Etchegoyen comandou interrogatórios na Casa da Morte entre maio e agosto de 1971. É parte de uma família de generais golpistas.

A partir deste domingo (26), o ICL Notícias iniciou a publicação do projeto “Bandidos de farda” produzido nos últimos sete meses com uma série de reportagens e um documentário que estreará no dia 17 de maio. O projeto revela os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo mantido por ele até sua morte. São 23 pastas e cerca de 3 mil páginas de documentos públicos inéditos, que pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas que foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado por seu filho, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da Ação Popular (AP) e está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974. Uma segunda parte da documentação foi entregue em fevereiro deste ano pela mesma fonte à jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias.

Michel Temer sabia de TUDO!@MichelTemer

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Entre os documentos, obtidos com exclusividade, o coronel guardava, por exemplo, relatórios de monitoramento do presidente Lula, no fim dos anos 1970. Mas o documento mais perturbador é uma denúncia feita por um soldado do Centro de Informações do Exército (CIE), órgão do gabinete do ministro, informando a existência de um estupro perpetrado, em 1969, por uma equipe de militares que atuava na área de operações e inteligência do CIE contra uma mulher que alugava quartos a integrantes da Ação Libertadora Nacional (ALN). O crime aponta para a existência de uma nova vítima da ditadura, desconhecida quando o relatório da Comissão Nacional da Verdade foi finalizado em 2014. Na ocasião, foram reconhecidas 434 vítimas, das quais 210 desaparecidas.

🪖​ Alcides Etchegoyen (avô): Liderou um levante contra a posse de Washington Luis.
🪖​ Leo Guedes Etchegoyen (irmão): Pai de Sérgio Etchegoyen, citado pela CNV por violações na ditadura.

🪖O último dos Etchegoyen a ser conhecido publicamente é o sobrinho de Cyro, general Sergio Etchegoyen, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional no governo de Michel Temer, entre 2016 e 2018.

Nota Instituto Fernando Santa Cruz

“Há histórias que o tempo tenta enterrar, guardadas em arquivos “reservados”, escritas com a frieza burocrática de quem transformou o terror em rotina, reduzidas a números em relatórios de “subversivos postos fora de circulação”. Há famílias que resistiram ao silêncio imposto pelo Estado, guardando memórias como brasas acesas. Há o heroísmo dos que disseram não, que escolheram a consciência em vez da ordem e desapareceram sem túmulo, sem despedida, sem fim. Foi Juliana Del Piva e a equipe do ICL quem foram até essas famílias, quem os ouviu, quem reconstituiu os fatos com a coragem de quem sabe que a verdade, quando finalmente encontrada, dói e liberta ao mesmo tempo. Este trabalho não é apenas uma série de reportagens. É um ato de resistência, de reparação e de memória viva.

Instituto Fernando Santa Cruz-IFSC
Memória, Verdade e Justiça

Editado por: ICL Notícias
Conteúdo originalmente publicado em: ICL Notícias



Combatendo o Alzheimer Social

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UNESCO oficializa Memorial da Resistência como bem cultural sob Proteção Reforçada do Brasil 


O Memorial passa a integrar um seleto grupo de bens mundiais reconhecidos por sua relevância universal, protegidos em contextos de conflito.

No dia 4 de dezembro de 2025, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), anuncia o Memorial da Resistência de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, como primeiro patrimônio brasileiro, junto ao Real Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, a integrar a Lista Internacional de Bens Culturais sob Proteção Reforçada do Segundo Protocolo da Convenção de Haia de 1954 da UNESCO. A oficialização foi durante a 20ª Sessão do Comitê para a Proteção do Patrimônio Cultural em Caso de Conflito Armado. O reconhecimento ressalta o papel fundamental do Memorial na preservação da memória e da história política no Brasil.


A Lista é um mecanismo de salvaguarda patrimonial internacional, focado na proteção de bens culturais em caso de conflito armado, sob a égide da UNESCO. A Convenção estabelece a importância de salvaguardar monumentos, sítios arqueológicos, museus e outros patrimônios de importância histórica ou artística em tempos de guerra. Definida após a Segunda Guerra Mundial, o tratado introduziu medidas de proteção e cooperação entre os países signatários para evitar danos, roubos e comércio ilegal desses bens e é um dos pilares fundamentais do direito internacional de proteção de bens culturais.


O edifício onde hoje é o Memorial da Resistência, foi sede do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP) entre 1939 e 1983. O museu, sob gestão da Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC), dedica-se a pesquisa, salvaguarda e difusão da memória política de repressão e resistência brasileira, bem como atua para uma educação cidadã ativa e pela valorização de direitos humanos. Esta concessão da UNESCO reconhece o valor histórico do edifício, social e cultural da instituição.


A análise para integrar a Lista é feita por um Comitê através de critérios estabelecidos no Segundo Protocolo à Convenção da Haia de 1954 para a Proteção dos Bens Culturais em Caso de Conflito Armado, de 1999. São considerados fundamentais: ser um bem cultural considerado excepcional e de grande importância para humanidade enquanto influência e símbolo de, pelo menos, um período histórico; o patrimônio já ser devidamente protegido a nível nacional, através de medidas legais e administrativas que garantam sua salvaguarda; e que o Estado assegure que o espaço não será utilizado para fins militares.


Por sua aprovação na Lista, o Comitê considera que Memorial da Resistência desempenha um papel único e insubstituível na preservação da memória política brasileira e que representa um símbolo vívido da luta pela democracia, sendo um lugar dedicado à preservação histórica e à educação em direitos humanos.


Para Ana Pato, Diretora técnica do Memorial da Resistência, este reconhecimento reforça para a sociedade brasileira a importância do Memorial como patrimônio histórico, além do papel fundamental da instituição na preservação da memória da ditadura e na promoção da democracia no país. 


Foto: João Leoci / Acervo Memorial da Resistência de São Paulo

Foto: João Leoci / Acervo Memorial da Resistência de São Paulo
#AlzheimerSocial

Flip 2024: 100 anos sem João do Rio, o cronista das ruas cariocas

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Cronista prolífico, autor de romances, ensaios, contos, peças de teatro, conferências sobre dança, moda, costumes e política. Um dos autores mais importantes do início do século XX no Rio de Janeiro: João do Rio, pseudônimo mais famoso de Paulo Barreto (1881-1921), é o autor homenageado da 22ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que será celebrada de 09 a 13 de outubro. 


Negro e homossexual, escritor ficou conhecido por caminhar pela cidade, documentando grupos marginalizados da vida urbana.

Essa semana (23/6) será marcada pelo centenário da morte de Paulo Barreto, jornalista e escritor carioca também conhecido por um de seus pseudônimos, João do Rio. Popular por retratar o cotidiano do Rio de Janeiro, seu funeral foi um evento histórico: cerca de 100 mil pessoas compareceram, quase 10% da população da cidade em 1921.João do Rio trabalhou a vida toda em jornais e revistas. Pioneiro como repórter, criou um estilo de texto híbrido de literatura e reportagem, ficção e realidade. “João do Rio não separou jornalismo de literatura. Sua busca por transformar o ofício em grande arte é um convite a pensarmos no fazer literário em seu campo expandido”, diz Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip.

Foi dessa forma que ele mudou o modo de fazer jornalismo, fundando a crônica moderna. “Muito se diz que a crônica, como ela se deu no Brasil, é um gênero totalmente brasileiro. Vem um pouco da tradição do ensaio, claro, mas aqui ganhou pitadas de humor, de observação sagaz. João do Rio, como um dos pioneiros, foi além: registrou a história de uma cidade que se transformava, e não é exagero dizer que ele fez uma etnografia no início do século”, conta a curadora Ana Lima sobre o autor escolhido para a homenagem da Flip 2024.

Na sua observação das ruas e do povo, João do Rio fez coro com pensadores da passagem do século XIX ao XX que tinham a cidade como centro do pensamento, refletindo sobre o progresso, a velocidade, a formação urbana e as suas contradições. “Ele desempenhou um papel crucial ao documentar a vida urbana do Rio de Janeiro com uma perspectiva única e detalhada num momento em que a, então capital federal, se expandia de maneira desgovernada. Ainda hoje, o crescimento predatório faz parte da realidade de diversas cidades brasileiras, como Paraty. É com essa sensibilidade etnográfica, presente na literatura de João do Rio, que convidamos moradores e visitantes a estar no território que abriga a Festa”, comenta Munhoz.

O escritor, que conquistou uma vaga na Academia Brasileira de Letras aos 29 anos, era um personagem múltiplo e controverso. “João do Rio era e continua sendo uma figura contraditória. Por um lado, era fascinado por Paris, por outro, subia o morro do Rio de Janeiro com muito gosto, da mesma forma que o Rio era uma cidade dividida entre a fome de progresso e o convívio com sua formação”, aponta Ana Lima “Mas, ainda que tenha morrido famoso – seu enterro arrastou multidões –, permaneceu quase esquecido por mais de um século. A homenagem da Flip quer destacar essas contradições, justamente por ajudarem a explicar o Brasil”,  completa. 

Leitor atento e receptor das modas europeias, João do Rio foi um arguto cronista da Belle Époque carioca, narrando os salões e as recepções elegantes da alta roda – a elite que tentava se sofisticar e imitar os estrangeiros.

Ao mesmo tempo, quando deixa a redação do jornal para subir vielas, acompanhar manifestações culturais, observar de perto as habitações e os hábitos de uma cidade que se transformava vertiginosamente, João do Rio funda um modo de fazer jornalismo, numa espécie de etnografia pulsante, revelando ao leitor do jornal uma cidade que lhe era desconhecida. 

João do Rio percorreu o mundo, colecionou admiradores e desafetos. Filho de pai branco e mãe negra, abraçou as polêmicas com coragem – desde mergulhar nas religiões de matriz africana, tão populares no Rio de Janeiro, até ser o responsável pela tradução e divulgação da obra de Oscar Wilde, o que levou a especulações sobre sua sexualidade Vestia-se como um dândi, arrumando brigas, despertando gargalhadas, mas nunca passando despercebido. Vítima de um ataque cardíaco que o impediu de completar 40 anos, deixou 25 livros e mais de 2.500 textos publicados em jornais e revistas.

Curadoria

Em uma época em que a imprensa brasileira publicava principalmente crônicas de cunho literário e pessoal, Barreto foi pioneiro de um estilo de escrita que ia às ruas para documentar a vida urbana. Em livros como “A alma encantadora das ruas” (1910) e “A vida vertiginosa” (1911), ele registrou as transformações do Rio, então capital do país, durante a Belle Époque.

Ele trabalhou para diferentes periódicos, entre eles o jornal Cidade do Rio, dirigido pelo abolicionista José do Patrocínio. Também escreveu contos, peças de teatro e um romance. Em 1910, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e, em 1920, fundou seu próprio jornal, A Pátria — menos de um ano antes de sua morte súbita por ataque cardíaco, aos 39 anos de idade.

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