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Os parabéns? Foram tantos, que não deu para contar...

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Sabe quando um dia torna-se realmente especial?

- Quando muitas, muitas mesmo, pessoas, se lembram de você.

E... Foram muitas...

Tantas que não deu para contar.

Tantas, que não me atrevo a relacionar o número, para não cometer a injustiça do esquecimento de alguém.

Chegaram-me PARABÉNS, muitos parabéns.

Chegaram-me velinhas, bolinhos e um vídeo com Esquilinhos cantantes. Lindos!

Então, de todo o meu coração, AGRADEÇO a todos/todas pela lembrança e carinho.

Obrigada pelo precioso tempo investido, em mim, no dia de hoje.

Obrigada. Gracias. Thanks!

Beijão.


"Você só pode escrever a sério se antes ler a sério".

“O MANUAL DO GUARDIAN VOU LEVAR”, me disse Pedro, 22 anos, meu filho do meio. Era terça-feira, e ele estava arrumando suas coisas para voltar ao Brasil depois de quase um ano em Londres, no apartamento de Ranelagh Gardens que ele iluminou com sua inteligência, solidariedade, bom humor e incrível capacidade de conviver bem com todo mundo. Foi Pedro que descobriu o manual, e ele me citou algumas vezes uma passagem que o marcou. Nos últimos tempos, Pedro incorporou alguns autores à luz de seu abajur: Nelson Rodrigues e Isaac Bashevis Singer, por exemplo. Gosto de ver em seu texto em contínua evolução as marcas das leituras dos grandes escritores: os adjetivos teatrais, retumbantes de Nelson Rodrigues ou as tramas judaico-polonesas de Singer,em que o diabo é um personagem frequente.

Às equipes com as quais trabalhei ler, e não apenas notícias, sempre foi uma pregação frequente. Ter a leitura como hábito, considerada a afirmação de Aristóteles de que é o hábito que faz a virtude. Encontrar tempo para ler disciplinadamente. A quem diz que não tem tempo para ler, respondo que talvez seja hora de rever as prioridades. 

Não há nada de realmente importante para o que a gente não arranje tempo. É mais ou menos como dizer que livro é caro e ao mesmo tempo não se queixar da conta de um almoço que custa três ou quatro livros.

Para quem lida com palavras, como os jornalistas, ler é a diferença entre uma carreira limitada ou aberta. Os cinco autores fundamentais, aqueles que escreveram em português melhor que ninguém, na minha avaliação:

1) Machado de Assis. Sobriedade, elegância, precisão, ironia fina. Papai leu Machado numa coleção antiga, de capa dura verde, com a grafia antiga, pharmácia, por exemplo. Acabei lendo Machado na coleção de papai, e prestava atenção dobrada em suas anotações, na letra tão clara e marcante que, mesmo ele tendo morrido há mais de 25 anos, jamais sai de minha mente. Ao contrário de muita gente, gosto de livros anotados por leitores anteriores. De Machado, Memórias Póstumas, Dom Casmurro e Quincas Borba são vitais, e alguns contos, como O Alienista e A Cartomante, vão também encantar o leitor mesmo na segunda ou terceira leitura. Tenho uma paixão particular por um conto de menor relevância de Machado, Um Capitão de Voluntários,  uma história de amor traído e de arrependimento sincero e comedido que li muitas vezes. E tenho uma opinião convicta sobre a controvérsia a respeito da traição ou não de Capitu em Dom Casmurro. Não há evidência que sustente o adultério além da versão subjetiva de Bentinho, o marido. Assim, ele diz que Capitu o traiu com seu melhor amigo, Escobar. Não quer dizer que isso seja verdade.  A mesma situação aparece num romance de um dos maiores escritores da era moderna, John Upkide,  A Versão de Roger. O narrador, Roger, acredita que sua mulher o está enganando. Updike já no título colocou a ressalva: é a versão do marido.

A notícia mais importante da sua vida não foi o Premio Nobel de 1982

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Mas, o lançamento de Cem Anos de Solidão, em 1967

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1967 latinoamericano: o Gabo e o Che

O século XX foi o primeiro século em que a América Latina teve um protagonismo mundial. Iniciado, politicamente, com o massacre dos mineiros na Escola de Santa Maria de Iquique, em 1907 e, 3 anos mais tarde, com a Revolução Mexicana, se anunciava que seria um século de revoluções e contrarrevoluções no continente. 

O marco definitivo dessa trajetória viria com a Revolução Cubana de 1959.

Mas 1967 foi um ano simbolicamente determinante para a história latino-americana e para sua projeção mundial. É o ano da publicação da obra mais importante da nossa literatura, Cem Anos de Solidão, mas também porque é o ano da morte do Che.

Uma, a maior obra prima da literatura latino-americana, outro, o personagem cujo gesto o levou a ser a imagem mais reproduzida no mundo.

Não há ninguém que tenha lido Cem Anos de Solidão e que não se lembre das circunstâncias – onde, quando, com quem, em que edição – leu pela primeira vez o livro. Como não há ninguém que tenha vivido naquele não tão longínquo 1967, que não se lembre quando, onde, com quem, soube da noticia dolorosamente certa da morte do Che. 

O discurso do Gabo ao receber o Nobel de Literatura é a mais notável reivindicação da América Latina. 

Ali, ele afirma que, da mesma forma se reconhece ao nosso continente sua criatividade, sua originalidade e sua criatividade nas artes, se deve deixar de tentar impor-nos  projetos políticos desde fora, deixando-nos exercer, da mesma maneira, nos caminhos da nossa história, essa criatividade, essa genialidade e essa originalidade, que nos reconhecem no campo das artes.

Quer ler a íntegra do discurso? Leia aqui.

Muchas gracias.

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Emir Sade

Com ou sem Páscoa...

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Devemos nos lembrar sempre que:
(Mario Quintana)

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FELIZ PÁSCOA!

O amor é ingrato...

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Como o rei que matou o homem que o salvara da morte

Meu tio Fabio, um homem sábio do interior, um dia me entregou um livro do Plutarco. Confesso que tremi diante da ideia de enfrentar, na inexpugnável solidão da leitura, as páginas com certeza brilhantes mas inevitavelmente árduas do grego. Mas, prático que é, e conhecedor das limitações de seu sobrinho como leitor, tio Fabio me avisou que desejava que eu lesse somente um trecho marcado numa determinada página.

Ali se contava a história de um soldado que salvara a vida de um rei numa batalha. Um sábio imediatamente aconselhou o soldado a fugir. O soldado preferiu ficar, na esperança de ser recompensado pelo rei que salvara. Acabou morto. E logo. Quando terminei de ler essa história, imediatamente me lembrei de outro trecho de livro que tio Fabio me passara. Platão – tio Fábio sempre bebeu na sabedoria grega – contava que Sócrates disse mais ou menos o seguinte aos homens que o condenaram a tomar cicuta: que bem fiz eu a vocês para que me tratem assim?

As duas histórias tratam do mesmo tema: a ingratidão. E francamente: não sei por que iniciei minha coluna com a dupla história grega de ingratidão humana. Ou melhor. Sei sim. É que eu queria fazer uma conexão entre aqueles episódios e a vida amorosa. O fato cruel e inescapável é o seguinte: o amor é ingrato. O amor tem uma série de virtude: ele ilumina, ele embeleza a vida, ele torna divertido um congestionamento. Mas ele é ingrato como o rei que matou o soldado que o salvara e os atenienses que fizeram Sócrates beber cicuta.

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