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A "Cara do Mundo"

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Documentário faz a defesa da empatia para criar um antídoto ao ódio.

Trazendo a pluralidade de visões de imigrantes que vivem ou passaram pela cidade, o 'Cara do Mundo' (2016), foi lançado terça, 17/4, em São Paulo. O Longa ganha especial relevância em um momento em que o mundo vive uma escalada do ódio

São Paulo – A agência escola de jornalismo Énois promoveu o lançamento do documentário Cara do Mundo (2016). O longa faz uma radiografia da situação de imigrantes em São Paulo e analisa a forma como o contato entre culturas diferentes é desenvolvido por meio da empatia. A produção também adota recursos de metalinguagem que colocam os jovens produtores da Énois inseridos no contexto da narrativa.

“O documentário teve a participação de vários jovens aqui da Énois e sou um deles”, diz um dos realizadores, o jornalista Vinícius Cordeiro. “Fiz parte desde o começo da apuração e da produção (…) Entramos em conexão com muitos imigrantes de várias partes do mundo. Cada um deles trouxe uma visão diferente”, disse. Os personagens da história são provenientes de países como Japão, China, Haiti, Síria, Moçambique, Senegal e Bolívia.

Cordeiro conta que a ideia partiu do coletivo da agência, que programa suas atividades de forma horizontal. “Temos deliberações de pautas sempre de forma coletiva, então, várias pessoas trouxeram a vontade em comum de conhecer outras partes do mundo. Mas como não temos recursos para isso, resolvemos tentar conhecer o mundo que existe dentro de São Paulo”, disse, destacando que o projeto se desenvolveu com esse campo rico em diversidade presente na maior cidade do hemisfério sul.

O tema do longa ganha especial relevância em um momento em que, não só o Brasil, mas o mundo vive uma escalada do ódio, com traços de protofascismo. “Além de ser um documentário que trata de diferentes culturas que vivem aqui, ele fala sobre nós, moradores de São Paulo, nos reconhecendo em outras culturas. É como se fosse um metadocumentário. Ele já tem início com a missão da realização. Você pode acompanhar nossa trajetória na procura dos imigrantes. Todos os bastidores são parte do documentário.”


“A intolerância que vivemos hoje em dia é muito preocupante. Nós invalidamos o outro, invalidamos quem pensa diferente de nós e agredimos com discursos de ódio as minorias e pessoas em situações mais complicadas”, continua. O problema é tão amplo na esfera social que atinge os representantes do povo, contaminados com o ódio. “Vemos pessoas do alto escalão dando vazão e aval para esse tipo de discurso homofóbico, machista, intolerante, xenofóbico, enfim, temos muito o que aprender sobre respeito às liberdades e sobre o respeito ao outro.”

Direitos humanos
Também existe a oposição às sombras que rondam a sociedade, como afirma Cordeiro. “Cada ação tem uma reação. Na mesma medida em que o ódio vem crescendo, uma onda progressista que trata da empatia também cresce. Temos organizações que amparam quem vem pra cá e também há quem lute contra a intolerância, seja na vida real ou virtual, porque a violência na internet também é muito grande e machuca, adoece quem a recebe.”

No fim, as bandeiras de respeito e empatia passam pela questão dos direitos humanos, que, por sua vez, também são alvos de ataque em uma sociedade dividida. “É uma pena que o discurso sobre os direitos humanos esteja apenas à esquerda. Esse tema deveria ser independente do posicionamento político. Seria muito importante que isso se espalhasse para que pudéssemos viver em um ambiente de mais respeito, empatia e amor. É horrível porque se você não tem um posicionamento de esquerda, você acaba por invalidar os direitos humanos”, disse.

“Acham que direitos humanos é salvar bandido. Então, tem a tese de que bandido bom é bandido morto. Mas amigos, vocês não sabem de nada, não sabem o que significa direitos humanos. É horrível construir uma parede em cima disso, porque acha que direitos humanos é ‘coisa de petralha’. É algo muito maniqueísta, sendo que temos uma infinidade de pensamentos. Afinal, se você é contra direitos humanos, você é a favor do quê?”, questiona o jornalista.

Relatos e empatia
O respeito à diversidade e a defesa dos direitos humanos como valores fundamentais passa pela obra, que traz histórias como a de uma imigrante chinesa “que vivia uma realidade muito diferente. A família dela é muito conservadora e ela, lésbica. Ela veio para o Brasil, que é um país que consegue abraçar mais diferenças, ainda que sejamos um país bastante homofóbico, ela encontrou aqui uma forma de viver como ela queria. Ela conseguiu encontrar a liberdade que ela não tinha”, disse Cordeiro.

“A mesma coisa para um refugiado sírio que vivia em uma ocupação. Era uma outra realidade”, afirma. Mas também existe o contraponto, de pessoas que vêm para o Brasil pelos mais diversos motivos. “Tem uma menina de Moçambique que acabou descobrindo o racismo apenas aqui. Lá, ela não enfrentava essas situações e aqui ela teve de bater de frente com essa realidade”, disse.

Essas motivações diferentes também são evidenciadas no caso de um senegalês. “Esse imigrante, por exemplo, disse que estava em seu trabalho e uma menina disse algo como: ‘Coitado de você. Lá de onde você veio deve ser muito difícil”. Mas não era, era tranquilo para ele lá, mas o preconceito é de que sempre que alguém vem para o Brasil é para ser salvo.”

A programação completa, AQUI.

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