Ela havia sonhado que o marido, crivado de punhaladas, agonizava em seus braços.
E Culpúria contou o sonho para o marido, e chorando rogou que ficasse em casa, porque lá fora o cemitério esperava por ele.
Mas o pontífice máximo, o ditador vitalício, o guerreiro divino, o deus invicto, não podia dar importância ao sonho de uma mulher.
Júlio César afastou-a com um empurrão, e rumo ao Senado de Roma caminhou com a morte.
(Eduardo Galeano, Os Filhos dos Dias)
