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Quando o valor é o do Mercado, a vida não tem Valor.

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E com o lucro certo, o Ter, tem ocupado cada vez mais o lugar do Ser.

Depois de habilitados pelo órgão regulador da profissão, dão uma banana para esta mesma população e se recusam a trabalhar na rede pública.

Não escondo de ninguém a minha admiração por Cuba, país que me acolheu quando precisei completar os meus estudos no campo das políticas sociais. Isto não significa que eu não tenha uma visão crítica em relação ao país. O mesmo se aplica ao Estados Unidos da América do Norte.

Mas, o assunto que pretendo abordar aqui, é saúde e medicina...

Para os que “amam” o Brasil e odeiam Cuba – sem nunca terem pisado por lá -, rememoro fatos concretos e versão incontestável, mesmo que para alguns inaceitáveis: No Brasil, antes da gestão Lula - Dilma os “sábios” governantes e um punhado de dezenas de outros brasileiros “notáveis” desenharam o sistema educacional que hoje existe: Sem dúvida alguma excludente, destinado às elites, ao mercado e à sanha mercantilista das Academias.

Assim como na área da educação e do direito, os cursos de medicina na maioria das universidades de ponta, têm a mesma ótica de mercado, e, sobretudo do acúmulo do lucro. E com o lucro certo, o Ter, tem ocupado cada vez mais o lugar do Ser.

Mesmo com todos os problemas, há no Brasil o mais universal e avançado programa de saúde do mundo: SUS, coisa que nem a primeira economia mundial - a americana, consegue implantar por pressão do poder econômico e do mercado financeiro de Wall Street.

O maior problema material do Sus é a falta de médicos. Para se ter uma idéia, o governo do Distrito Federal não consegue contratar profissional médico, em que pese o salário mensal R$ 20.000, para uma jornada de quarenta horas. Os candidatos acham que não compensa. Como a lógica é a do “livre” mercado, o pensamento mercantilista em vigor faz com que o médico que opte pelo serviço público pareça um alienado aos olhos dos colegas bem “sucedidos” que o cercam.

E os cubanos?

Os valores morais e humanistas que norteiam a prática dos médicos em Cuba são fortalecidos pelo modelo cubano de saúde pública, onde a população conta com o médico da família (atendimento primário), as policlínicas (atendimento secundário) e os hospitais (atendimento terciário). Em suma, gripe é tratada com o médico da família, e a cirurgia eletiva de maior complexidade no hospital.

-Lá também é exigido do médico, ao final da sua formação profissional custeada com dinheiro público, que trabalhe nas cidades do interior por algum tempo, como forma de retornar para a população o investimento financeiro feito por ela, população, durante a sua formação profissional.

Já no Brasil, a população arca com os custos da formação profissional dos médicos nas universidades públicas, e depois nos hospitais públicos quando fazem a residência médica. Depois de habilitados pelo órgão regulador da profissão, dão uma banana para esta mesma população e se recusam a trabalhar na rede pública.

O problema é Cuba? E se fosse os americanos?

A celeuma que O Conselho Federal de Medicina está fazendo em torno da contratação de 6 médicos cubanos pelo governo brasileiro escamoteia a discussão, e não passa de uma cortina de fumaça para que a sociedade não discuta a baixa qualificação profissional dos médicos, cujo exercício profissional é da responsabilidade do CFM.

Então,

A pergunta a ser feita é: E se fossem 6 mil médicos americanos, o CFM seria contra? Provavelmente não. Pela lógica do conselho, o mais importante é ter mais seis mil profissionais atendendo ao mercado e dando lucro e prestigio ao conselho. Logo, mais importa o mercado que a vida.

****
Espero que o governo consiga efetivar as contratações, e que os médicos brasileiros aprendam com os cubanos que a vida é o nosso bem mais valioso.

Todo o meu respeito aos cubanos.
Hasta la vista!

5 comentários:

Estou aqui boquiaberta, é mesmo 20.000 que eles ganham? Pensava que fosse uns 3.000 levando-se em conta do jeito que eles reclamam.
Eu ouvi, há bom tempo atrás, que já na faculdade de medicina os alunos são orientados a considerar sua profissão um comércio. Não lembro quem me disso isso, mas era alguém que conhecia os interiores da faculdade.
Taí no que resultou. Uma cambada de incompetentes e que só visam a grana. claro que há exceções, mas no geral é isso mesmo.
Estou muito p. da vida com eles porque estou praticamente sem caminhar porque os "queridos" levaram quase dois anos para me dar um diagnóstico e com o passar do tempo a doença avançou. E hoje só tenho um diagnóstico porque acabei consultando particular.
Ah, não era médico de SUS e sim convênio (que estão piores do que o SUS).
Arre, cambada!!!
Pra você: beijos rsrs

Ainda temos que conviver com pessoas que tem a formação e não a vocação!
Isso é Brasil. sil, sil...
Abraço

Todo o meu respeito e a minha admiração a você Beth. Você acaba de nos prestar um grande serviço. Sempre tive vontade de escrever o que você escreveu, mas não tive competência. Você o fez por mim; muito obrigado. Vou divulgar o seu artigo.

Oi Benedito,
Que bom que gostou da matéria.
Gostaria de ter escrito mais. Mas, ficaria muito longa, e creio que abordei as questões que entendi necessárias, penso...
Fico feliz que tenha compartilhado.
Um abraço e carinho.
Valeu!

É lamentável que a vida a cada dia esteja cada vez menos valorizada. Os postos de saude estão lotados de doentes, é só ir conferir. O paciente quando entra dentro do consultório para falar das suas enfermidades, muitas vezes nem senta, porque o médico tem uma fila enorme de pacientes para atender porque faltam médicos.Conheço pessoas com consultas marcadas a um ano atras, porque faltam médicos. Se não quisermos morrer de qualquer jeito temos que pagar os convênios mais caros, porque os mais em conta estão pior que o SUS. Resumindo o meu ponto de vista: digo o seguinte: aqueles poucos médicos que se encontram nos pontos de saude também não podem operar milagres. Mesmo que quisessem dar um atendimento mais humano, eles não poderiam, porque deixariam uma fila enorme sem atendimento. Cadê o valor à vida que aprendemos nas escolas quando crianças? Por que será que corremos pra farmácia quando estamos doentes hem? Será que na farmácia encontramos mais calor humano? Estamos fragilizados e alguém ouve com atenção as nossas queixas. Devemos lembrar que se o nosso pai, ou a nossa mãe ou o nosso filho está doente : ELES PRECISAM DE UM MÉDICO

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