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Trabalho no SUS, contrapartida da universidade pública

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E a contrapartida deve ser: Devolver à população o investimento que ela fez na formação dos profissionais da área de saúde.

Os cursos de medicina são os mais elitistas, aquele onde nem mesmo a política de cotas conseguiu superar a composição quase que na sua totalidade de jovens provenientes da burguesia ou da classe média alta, branca.

São os mais concorridos, aqueles com relativamente menos vagas, que exigem maior preparação e que impõem dedicação exclusiva ao longo dos seus seis anos. Além de requerer muitos livros caros. As universidades públicas são, de longe, as melhores.

Assim, um número relativamente pequeno de pessoas tem acesso a esses cursos, gratuitamente. As famílias com maior nível de renda prepararam seus filhos de todas as formas, valendo-se do seu poder aquisitivo para prepará-los nas melhores condições para ingressar nas universidades públicas. Isso acontece de forma mais flagrante nos cursos de medicina.

Esse privilégio tem que ter contrapartidas para a sociedade, especialmente para aqueles setores que, mesmo pagando impostos, não podem ver seus filhos ingressarem nos cursos de medicina e ainda têm que sofrer as dificuldades de atendimento do SUS.
A decisão do governo de agregar dois anos na carreira de medicina com trabalho no SUS vai na direção correta de estabelecer contrapartidas dos que têm acessos a esses cursos para o conjunto da sociedade.

Haverá muita choradeira, como tem havido em relação à vinda de médicos estrangeiros. Considerarão uma violação ao “direito inalienável” de fazer os melhores cursos de medicina em universidades públicas sem nenhuma contrapartida social. Dirão que “já pagam impostos” para a educação pública, que conseguiram seus lugares na universidade por méritos próprios. Que têm o direito de trabalhar onde bem entender, quando quiserem.

A decisão do governo fortalece a esfera pública, tanto na esfera educacional, como na de saúde pública. É uma decisão que necessita da mobilização e do apoio de todos – estudantes, médicos, profissionais de saúde em geral, cidadania. É um critério que tem que se estender para o conjunto das políticas governamentais – as contrapartidas sociais.

Emir Sader - Carta Maior

4 comentários:

Apoio de todo e fortaleço com digna opinião que todos tenham a absoluta certeza que tem que ser assim mesmo.
A decisão e correta, porém os filhinhos de papai vão experniar e fazer cara feia, mais é assim mesmo, tudo que é bom para a sociedade mais carente, é contestado pela sociedade rica.
Parabéns por compartilhar.
Abraço

Oi, Beth!
Não somente os médicos, mas qualquer profissional formado em faculdade pública deveria prestar serviço para o Estado. Não acho que somente os médicos devam estar presos civilmente ao Estado.
Boa semana!!
Beijus,

Oi Lu,
Comentário assinado e carimbado! rsrs
Beijão.

Oi Luma,

Não considero uma prisão civil. Mas, o fim do aprisionamento do sistema de saúde e da população em relação ao profissional médico.

Retribuir aos civis todos os investimentos que a população, especialmente mais pobre, fez ao bancar com os seus impostos, a formação médica - a mais cara de todas, é o mais correto. É assim na Inglaterra e em outros países do mundo.

A questão é: Até a bem pouco tempo as entidades médicas, por seu perfil elitista, não admitiam sequer, que as outras categorias pudessem fazer residência hospitalar. Era deles, e apenas deles, este monopólio. Ainda bem que isto está mudando. Pois não acredito na visão monocular da saúde Mas sim na interdisciplinaridade.

Sim, você tem toda razão. Em outro artigo que escrevi, refiro-me aos demais profissionais da área. Pela minha formação profissional, da área, não posso ver de outra forma.

Obrigada pela visita e comentário.

Beijão.


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