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Fio maravilha, nós gostamos de você!

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Maria Alcina: Fio maravilha (VII FIC - 1972).

Considerado como o último grande evento da Era dos Festivais, o VII FIC - Festival Internacional da Canção - 1972 - entrou para a história por revelar grandes nomes da MPB, como Raul Seixas, Fagner, Belchior, Alceu Valença, Sérgio Sampaio, Hermeto Pascoal, Renato Teixeira, Oswaldo Montenegro, Rildo Hora, Ruy Mauriti e outros compositores e intérpretes. Mas a grande revelação feminina foi, sem dúvida, a mineira Maria Alcina, que incendiou o Maracanãzinho com "Fio maravilha", de Jorge Ben. Fato curioso é que tanto a música quanto o compositor mudaram os nomes: Jorge Ben é hoje Jorge Ben Jor (devido a confusão que se fazia no exterior com o músico norte-americano George Benson, que teria recebido direitos autorais em nome do brasileiro) e "Fio Maravilha", por causa de um processo inexplicavelmente movido pelo ex-jogador Fio, homenageado por Ben Jor, virou "Filho Maravilha".



O festival, porém, foi realizado em momento muito conturbado da política pela ditadura militar. Foi durante este período do governo Médici (1969 - 1974) que houve as maiores repressões da ditadura, não só às artes, mas também aos contestadores do regime e aos meios de comunicação, que sofreram violenta censura, impedindo a população de ser informada sobre o que estava acontecendo. A própria Maria Alcina, pela sua forma irreverente de se apresentar, foi considerada um "atentado à moral e aos bons costumes" e acabou censurada na TV pela ditadura em todo o Brasil, chegando a responder processo, segundo declarou em entrevistas.

Para selecionar as 30 músicas, entre as 1.912 inscritas, compunham a comissão: César Camargo Mariano, Julio Medaglia, Roberto Freire, Décio Pignatari e Sérgio Cabral. Esses três últimos viriam participar também do júri, juntamente com Mário Luís Barbato, Rogério Duprat, Alberto de Carvalho, João Carlos Martins, Guilherme Araújo, Big Boy e Walter Silva. A cantora Nara Leão presidiu o júri que classificou 14 músicas para a final. Esse júri, contudo, foi afastado da final nacional por ordem dos militares, que não gostaram de entrevista dada por Nara Leão ao Jornal do Brasil, fazendo duras críticas ao governo. Um novo júri de gringos selecionou duas músicas para a competição internacional, gerando uma série de protestos e pancadaria.

Na final nacional, Roberto Freire, ao tentar ler um manifesto representando o júri expurgado, foi arrastado do palco e brutalmente espancado. No manifesto, depois lido com algumas alterações pelo apresentador Murilo Nery, defendia-se a escolha de "Cabeça", de Walter Franco, e "Nó na Cana", de Ari do Cavaco e César Augusto. Entretanto, as canções ganhadoras na fase nacional foram "Fio Maravilha" e "Diálogo", samba de Baden Powel e Paulo César Pinheiro, interpretado por Cláudia Regina e Baden. Nenhuma das composições brasileiras saiu vitoriosa na fase internacional. O povo teve que se contentar com a menção honrosa dada a "Fio Maravilha". 

Quem levou o primeiro lugar foi o americano David Clayton Thomas, com "Nobody Calls me a Prophet". Alguém conhece?

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