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Eram três: Luhli, Lucina e Luiz.

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Yorimatã.

Nós éramos, mais que tudo, três pessoas juntas. Por acaso era um homem e duas mulheres.

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O documentário resgata a intensa história das cantoras, da profunda conexão que a dupla tinham com a natureza, e as duras batalhas que travaram contra a indústria fonográfica e o moralismo da época.

O filme Yorimatã conta a fascinante história da dupla Luhli e Lucina, cantoras, compositoras e multi-instrumentistas que fizeram mais de 800 composições e traduziram a liberdade para a linguagem musical. São elas as autoras dos clássicos O Vira, eternizado pelo grupo Secos e Molhados, e Bandoleiro e Fala, canções que ficaram famosas na voz de Ney Matogrosso, que participa do documentário. Além dele, dão depoimentos sobre a dupla Gilberto Gil, Joyce Moreno, Tetê Espíndola, Alzira Espíndola, Zélia Duncan, Antonio Adolfo e Luiz Carlos Sá, da dupla Sá e Guarabyra.

Mais do que resgatar a enorme importância e o pioneirismo de Luhli e Lucina para a Música Popular Brasileira, Yorimatã mostra como a dupla desafiou regras sociais e do mercado fonográfico nas décadas 1970 e 1980. Além de serem consideradas as primeiras mulheres a tocar percussão e de terem rompido com gravadoras em nome da liberdade artística, as duas viveram intensa e longamente uma história de amor a três com o fotógrafo e cineasta Luiz Fernando Borges da Fonseca.

“A gente teve quase três anos de amizade mesmo. A gente viajava, a gente curtiu muito. Um belo dia, o Luiz deu uma declaração: 'Tudo bem, eu já conversei com a Luhli'”, relembra Lucina no filme. “Então, em vez de eu perder ele e ela, eu abri. E ele passou a ter em mim uma confidente. Isso criou uma nova dimensão de cumplicidade entre nós, que varreu as brigas, e a relação se reciclou. Ela salvou o nosso casamento (…) Nós éramos, mais que tudo, três pessoas juntas. Por acaso era um homem e duas mulheres. A energia circulava para todos os lados. E, desde o começo, sempre houve uma quarta pessoa, que era a própria música, que tomava um tempo enorme, uma dedicação enorme”, declara Luhli.

Ney Matogrosso afirma no longa-metragem que não é possível dissociar a música de Luhli e Lucina do modo de viver do trio: “Nunca consigo ver vocês apenas como artistas. Eu vejo a existência de vocês naquele contexto de vocês duas e do Fernando. E eu vi que houve uma reação de muita gente a vocês. Porque vocês eram uma coisa que talvez fosse idealizada por muita gente, mas que ninguém realizava. Vocês realizaram às claras. Eu sei que o fato de vocês terem realizado tudo às claras afastou muita gente, mesmo assim, vocês exiladas, disseram 'Não tem importância, nós estamos exiladas mas estamos com a verdade'. Enfrentaram as famílias, a hipocrisia organizada da sociedade, que é assim, até hoje. E eu pensei: 'Não estou sozinho neste mundo'”, confessa o cantor.


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