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Esse músico da noite do Rio de Janeiro, que em vida só conheceu a praia por fotografias, escreveu e cantou sambas nos bares da cidade, que os canta hoje.
Numa desses bares um amigo o encontrou, na noturna hora das dez da manhã.
Noel cantarolava uma canção recém-parida.
Na mesa havia duas garrafas. Uma de cerveja e outra de cachaça.
O amigo sabia que a tuberculose estava matando Noel Rosa. Noel adivinhou a preocupação em seu rosto, e sentiu-se obrigado a dar uma lição sobre as propriedades nutritivas da cerveja.
-Isso aqui alimenta mais que um prato de boa comida.
O amigo não muito convencido apontou para a garrafa de aguardente:
-E isso aqui?
E Noel explicou:
-É que não tem a menos graça comer sem ter uma coisinha para acompanhar.
(Os Filhos dos Dias)