O avião Embraer da Azul decolou e com um toque de dedo acendi a telinha de tevê, para me ocupar na hora e vinte do meu vôo Brasília-São Paulo. E ainda sem ter feito qualquer escolha, ali surgiu Gilberto Gil ao lado de um maestro.
Lembrei-me imediatamente do CD comprado, na noite anterior, num shopping nas Americanas, ainda lacrado, mostrando o cantor-compositor baiano, ex-ministro da Cultura, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, numa gravação ao vivo com acompanhamento de cordas.
Rapidamente pedi fones de ouvido e tive direito a uma antecipação da escuta do meu CD como um bonus especial - o vídeo era exclusivo da empresa aérea Azul que, pelo jeito, transportara todos os músicos, não sei de onde para onde. Era o ensaio, provavelmente o final, com Gil de sandálias e roupa descontraída, antes da cena final, de rigor, no Municipal.
Violão do Gil entre violinos, violoncelos, contrabaixos, violas mas também flautas, clarinetas, trompa, trompete e trombones. Imagens destinadas a dar uma terceira dimensão ao som do CD, tão logo eu chegasse no meu interiorano destino.
Gil é poeta profundo que joga com as palavras com maestria. Mas é também lembrança minha do Ponto de Encontro, na Galeria Metrópole, na avenida São Luiz, quando estava ainda para acontecer ou já acontecia o tropicalismo, a música colorida num fundo de chumbo verde-oliva.