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Chico Buarque e um novo Brasil

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Coincidência?
"A Bossa Nova não seria mais possível

Os brasileiros tem a fortuna de assistir, na mesma semana, a dois filmes espetaculares: o de Guilherme Fontes, sobre “Chatô”, e “Chico, artista brasileiro”, documentário de Miguel Faria Jr.

Chatô resulta mais divertido e menos safado que Roberto Marinho, a quem precedeu na luta para derrubar presidentes trabalhistas.

O Chico é impecável, irretocável, incomparável.

E Chico, esse artista brasileiro, de Paratodos !

"O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro".

Chico tem a elegância de Pixinguinha.

E, assim, nessa chave, dá um murro no estomago desses impeacheiros mediocres, que se escondem no “constitucionalismo” e na fossa do PiG.

A certa altura, Chico fala da Bossa-Nova.

E diz que a Bossa Nova só foi possível porque o Brasil era atrasado.

Só assim, atrasado, foi possível uma musica de elite, de Ipanema se impor como um cânone para o Brasil inteiro.

Um Brasil, diz ele, que não ia ao aeroporto …

Agora, não.

Goste ou não goste, o Brasil menos atrasado incorporou novos padrões culturais – o Chico não fala assim, fala mais fácil e melhor ! 

E a Bossa Nova não seria possível, hoje, com aquela hegemonia.

Com o devido respeito ao seu maestro soberano, Antonio Brasileiro Chico se contém, aí, no rigor de um “retrato em preto e branco”.

Mas, não é difícil ir mais longe.

O Brasil trabalhista, do Lula e da Dilma, levou o povão ao aeroporto.

E trouxe ao palco a musica sertaneja, o forró, o axé  - o que ele, sem mencionar, chama de musica “brega”.

Tudo bem,  diz ele.

Você pode gostar ou não gostar, mas é a musica do povo brasileiro.

A música que estava escondida, lá atrás, na desigualdade, na falta de inclusão.

Ele e Miúcha, a irmã, lembram que o pai, Sergio Buarque de Holanda, incutiu nos filhos desde cedo a aversão à desigualdade.

(O filme não trata disso, mas Sergio foi um dos fundadores do PT.)

Uma amiga navegante baiana – linda e fã do Chico desde o Teatro Castro Alves, no lançamento do Paratodos - anota que Chico abre e fecha o filme com um elegante paletó vermelho.

Como diria o Cae, quer dizer muito, ou não …

Uma única restrição, mínima, irrelevante: faltou o Fluminense no documentário.

Mas, também, do jeito que o Fluminense anda …"

*****
PH, Conversa Afiada 

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