Em Recife (PE) - Ouço agora nos ouvidos e no peito o frevo “Ultimo dia”.
Ouço no peito porque esse frevo, que é anúncio de alegria e despedida com um título tão definido e definitivo, expressa também o sentimento que tenho em relação a meu próximo romance, editado pela Bertrand Brasil. Digo meu e paro, porque devia dizer nosso romance, pois “O filho renegado de Deus”é um livro que escrevemos, eu, vocês, nossas vidas, nossas histórias e nossas infâmias. Mas que ainda assim é um livro terno e carinhoso. Como? Não sei de que cachorro doido é feito o homem, porque encontra lugar entre as crueldades para a ternura.
Tentarei explicar. Ainda ontem conversando com o meu filho, que depois de ler o romance me falou da realidade que descobrira, eu lhe disse que assim era porque o livro narra os crimes que temos debaixo do nariz, todos os dias, e não vemos. Mas que crimes são esses? Em termos simples, o livro fala do desejo de amor impossível de Maria, mulher gorda, baixinha, semianalfabeta, no Recife dos anos 50.
Tentarei explicar. Ainda ontem conversando com o meu filho, que depois de ler o romance me falou da realidade que descobrira, eu lhe disse que assim era porque o livro narra os crimes que temos debaixo do nariz, todos os dias, e não vemos. Mas que crimes são esses? Em termos simples, o livro fala do desejo de amor impossível de Maria, mulher gorda, baixinha, semianalfabeta, no Recife dos anos 50.
