Além dos limites do texto
Clarice de Cabeceira, organizado por Aparecida Maria Nunes, recupera uma espécie de fazer jornal que só pertence a Clarice Lispector.
É jornalismo de autor. Coloca-se em xeque a chamada “linguagem jornalística”, do senso comum e da instrumentalização ideológica. Mesmo ao buscar parâmetros, tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre o “jornal” e o “público de jornal”, a redatora atinge simplesmente o leitor, aquele que lê literatura e depara com ela nas corriqueiras páginas dos periódicos. Mineirinho está presente, obra-prima da crônica brasileira. Fala de um marginal, a linguagem da escritora se impõe e nós temos não uma especulação oca sobre a personagem e sim um movimento investigativo da própria realidade, ou das muitas realidades humanas.