Uma das coisas que mais gosto de fazer é observar o comportamento humano. Ontem, quinta-feira, fui às ruas fazer exatamente isto, e procurar entender o que está acontecendo.
-Em Brasília, caminhei, observei, li e ouvi.
Vi uma multidão caminhando em festa, empunhando bandeiras, e, alguns com pedaços de paus. Li cartazes com frases sem nexo e ligação umas com as outras. Ouvi gritos de xingamentos contra partidos políticos, governadores, prefeitos, magistrados, e a quem simplesmente passava em paz a caminho de casa.
Confesso que em determinados momentos senti medo. E o medo aumentava enquanto eu me aproximava da praça dos Três Poderes.
Ouvi de vários jovens que estavam ali para ajudar a mudar o Brasil e o mundo. Só não fazem ideia de como concretizar essas mudanças, já que repudiam qualquer forma de organização que lhes coloque freio. Mas, um deles me forneceu uma pista esclarecedora ao dizer empolgado: “um outro mundo é possível!”.
Bingo! Não é por acaso este o tema recorrente do Fórum Social Mundial, que acontece uma vez por ano, e é dirigido por partidos e organizações da esquerda mundial?
-Resposta: Absolutamente certo.
Mas, então, porque à distância entre as palavras de ordem que os jovens gritam nas ruas e os resultados práticos das bandeiras de luta aprovadas nos Fóruns já ocorridos, que em tese são as mesmas?
-Resposta: Reside exatamente na palavra ‘Distância’.