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O renascimento africano:Black não é um castigo, Black is beautiful.

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O avião Embraer da Azul decolou e com um toque de dedo acendi a telinha de tevê, para me ocupar na hora e vinte do meu vôo Brasília-São Paulo. E ainda sem ter feito qualquer escolha, ali surgiu Gilberto Gil ao lado de um maestro.

Lembrei-me imediatamente do CD comprado, na noite anterior, num shopping nas Americanas, ainda lacrado, mostrando o cantor-compositor baiano, ex-ministro da Cultura, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, numa gravação ao vivo com acompanhamento de cordas.

Rapidamente pedi fones de ouvido e tive direito a uma antecipação da escuta do meu CD como um bonus especial - o vídeo era exclusivo da empresa aérea Azul que, pelo jeito, transportara todos os músicos, não sei de onde para onde. Era o ensaio, provavelmente o final, com Gil de sandálias e roupa descontraída, antes da cena final, de rigor, no Municipal.

Violão do Gil entre violinos, violoncelos, contrabaixos, violas mas também flautas, clarinetas, trompa, trompete e trombones. Imagens destinadas a dar uma terceira dimensão ao som do CD, tão logo eu chegasse no meu interiorano destino.

Gil é poeta profundo que joga com as palavras com maestria. Mas é também lembrança minha do Ponto de Encontro, na Galeria Metrópole, na avenida São Luiz, quando estava ainda para acontecer ou já acontecia o tropicalismo, a música colorida num fundo de chumbo verde-oliva.

Para que você cante, para que você veja

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Para ver os mundos do mundo, mude seus olhos.

Para que os pássaros escutem o seu canto, mude a sua garganta.

Isso dizem, 

Isso sabem, os antigos sábios nascidos nas fontes do rio Orinoco.

(Os Filhos dos Dias)


O tempo passa...

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El tiempo pasa, nos vamos poniendo viejos,
El amor no lo reflejo como ayer,
En cada conversación, en cada beso, cada abrazo,
Se impone siempre un pedazo,
De razón.



Enquanto a noite durar

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Noel em Vila Isabel
Em maio de 1937 morreu, aos vinte e seis anos, Noel Rosa.

Esse músico da noite do Rio de Janeiro, que em vida só conheceu a praia por fotografias, escreveu e cantou sambas nos bares da cidade, que os canta hoje.

Numa desses bares um amigo o encontrou, na noturna hora das dez da manhã.

Noel cantarolava uma canção recém-parida.

Na mesa havia duas garrafas. Uma de cerveja e outra de cachaça.

O amigo sabia que a tuberculose estava matando Noel Rosa. Noel adivinhou a preocupação em seu rosto, e sentiu-se obrigado a dar uma lição sobre as propriedades nutritivas da cerveja.

-Isso aqui alimenta mais que um prato de boa comida.

O amigo não muito convencido apontou para a garrafa de aguardente:

-E isso aqui?

E Noel explicou:

-É que não tem a menos graça comer sem ter uma coisinha para acompanhar.

(Os Filhos dos Dias)

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