Jornalismo torturador de números
A grande moda, naquilo a que se chama de “redes sociais”, é divulgar informações amplamente conhecidas e jurar que não saíram em lugar nenhum, nem sairão. Por exemplo, uma vacina cubana contra o câncer, com a frase “uma lição na máfia da indústria farmacêutica” e a advertência: “Isso nunca será notícia na TV”. Não será, mesmo: já foi. E o link da fonte original da informação remete a que?
Bingo! Ao noticiário de uma grande rede brasileira de TV e a seu grande portal de notícias. E quem é que divulga que isso “nunca vai sair na televisão”? Uma jornalista. Esquisito? Pois é. Mas é preciso dizer de alguma maneira que a medicina cubana é a mais avançada do universo e que isso só não é mundialmente reconhecido porque os meios de comunicação brasileiros boicotam a importante notícia.
Outra coisa interessante é o mensalão: até Abraham Lincoln já foi apontado como distribuidor mensal de propinas, com o nobre fim de abolir a escravidão nos Estados Unidos. Tudo que envolva corrupção em qualquer lugar precisa ser amplamente divulgado, para que o mensalão não seja considerado tão grave assim. O último caso é o do mensalão espanhol, aparentemente, aliás, bem parecido com o brasileiro. Pipocaram as mensagens acusando a imprensa de não divulgar o mensalão espanhol, enquanto divulga o brasileiro.