Católicos, evangélicos e espíritas tramam no Congresso uma nova lei protegendo os embriões, a partir do encontro do espermatozóide com o óvulo feminino. Será a lei anti-aborto, mesmo em caso de estupro e de falta de cérebro no feto.
Lembro-me ter lido, ainda na minha época da CBN, uma crônica do Arnaldo Jabor que, entrava no ar pouco antes ou pouco depois de mim, chamado ao vivo pelo Heródoto Barbeiro.
Contava o cronista, numa linguagem desabrida, lembrando de sua época de internato em escola de padres, que se sentia como um criminoso ao ejacular depois de se masturbar e deixar cair no vaso ou no bueiro do chuveiro tantos espermatozóides, assim impedidos de chegarem a óvulo feminino.
Por certo, seus professores padres, no louvável afã de impedirem aos seus alunos se tornarem viciados na punheta, tinham lhes embutido no cérebro a idéia de que cada um daqueles fiozinhos cabeçudos, disparados cegamente à busca de uma fecundação, já tinha alma ou espírito.
Assim, milhões e milhões de almas, em lugar de irem ao céu ou na pior das hipóteses para o purgatório ou para o inferno, iam diretas para o esgoto. Essa quantidade vai muito além de milhões, bilhões e trilhões, é preciso se botar muitos zeros a mais nisso, se somarmos aos espermatozóides do Jabor os dos adolescentes, os de tantos milhões de homens solitários, solteiros e viciados que se desafogam diariamente.
Lançar trilhões de almas perdidas nos esgotos deveria ser um crime hediondo, merecedor de um castigo divino mais severo que o inferno, a começar pela castração.